Quando ouço a palavra “realidade”, repetida no discurso moralista de supostos intelectuais, fico sempre incomodada com a negligência do óbvio: a realidade não se restringe às periferias cariocas e paulistanas e, mais, não se restringe à disputa entre classes sociais. Dividir a experiência humana em categorias, além de ser cruel, é mais uma forma de submeter e dominar, é mais uma forma de manter as coisas nos seus devidos lugares, em suma: não é nada revolucionário, é extremamente conservador. Obviamente, tudo o que pode ser catalogado é, imediatamente, condenado à condição de objeto. Manderlay, filme de Lars Von Trier, explicita de maneira didática esse mecanismo hediondo de classificação de seres humanos, tão aprofundado em nossos tempos, em que é possível perder-se no labirinto de categorias e subcategorias.
Hoje, três posturas se destacam do aglomerado de atitudes possíveis diante das questões sociais: abstenção, defesa de discursos mofados e engajamento em causas alternativas. A primeira postura é a mais corrente e coincide, curiosamente, com uma ênfase enorme à necessidade de opinião, que se espalha como uma praga, sempre voltada a miríades de assuntos insignificantes.
Hoje, três posturas se destacam do aglomerado de atitudes possíveis diante das questões sociais: abstenção, defesa de discursos mofados e engajamento em causas alternativas. A primeira postura é a mais corrente e coincide, curiosamente, com uma ênfase enorme à necessidade de opinião, que se espalha como uma praga, sempre voltada a miríades de assuntos insignificantes.
O intelectual que ainda não conseguiu se desvencilhar das décadas de polarizações defende a ideia, mais do que batida, do “escravo feliz”. Atormentado, o homem comum é sempre o bode expiatório dos males da humanidade. Sem incorrer no equívoco de julgar o homem comum o mártir de todos os tempos, direi, repetindo as palavras de G.K Chesterson: “Todos os homens são comuns, extraordinários são os que sabem disso”. No entanto, soará filosófico demais, num mundo cuja tônica é a injustiça e a desigualdade por esse fato usualmente ignorado: a injustiça e a discriminação recomeçam cada vez que dividimos o mundo em “nós” e “aqueles”.
realidade
re.a.li.da.de
sf (lat realitate) 1 Qualidade do que é real. 2 Existência real. 3 O que existe realmente. Antôn: ficção, fantasia. R. virtual, Inform: forma mais natural de interação entre um usuário e o computador, através da imersão do usuário num ambiente tridimensional sintético, gerado pelo computador.
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