A volúpia única e suprema do amor jaz na certeza de fazer o mal.
Charles Baudelaire
BLOGUE MUITO ANTIGO |
ATUAL: http://ocorpoestranho.wordpress.com
Mostrando postagens com marcador Esparsos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Esparsos. Mostrar todas as postagens
Banda de Pau e Corda - Recado
*
SENHORES PIXADORES,
contribuímos mensalmente com o Lar Manguco Bedé, que abriga pedantescos em recuperação e desformatados com síndrome do cochicho-pesadelo. Imagino que você esteja paralisado, de spray na mão, lendo, cordialmente, este aviso. Agradecemos desde já pela colaboração e sugerimos o link ao lado [este]: há poemas especialmente desenvolvidos para vossa utilização pixiquitográfica em muros-privadas de arquiprovincianos e poetastros. Qualquer dúvida [ih, acabou o cartaz]. A Direção.
*
RESPEITÁVEL PÚBLICO,
Banda de Pau e Corda é o meu presente nesta data querida. Em breve, surpresas bombásticas.
Manguco Bedé News - Plantão de Babel
PRONUNCIAMENTO da excelentíssima Srta.M, Governadora do Estado Bruto, em virtude dos incidentes de última hora:
– Respeitável público, interrompemos a nossa programação anormal para a transmissão do horário "mate o leão de hoje" obrigatório. Dentro de alguns dias, veja: [censurado].
– Respeitável público, interrompemos a nossa programação anormal para a transmissão do horário "mate o leão de hoje" obrigatório. Dentro de alguns dias, veja: [censurado].
O TSCM (Tribunal Superior de Causas da Srta. M) decidiu censurar a divulgação antecipada de toda e qualquer informação relevante sobre a programação da Certeza de Fazer o Mal. A medida visa estimular o contribuinte (visitante) deste espaço a não abandonar sua enorme curiosidade em troca de um prato de ervilhas. Assim sendo, muito obrigada e boa noite.
No Porto
Esta nova primavera: ombros à mostra no vestido, belíssimo. Na véspera, Elomar Figueira Mello e o maestro. A noite merece brincos novos. Depois, deixo as fotos dentro dos sapatos. Guardo instantes dentro de caixas, como o Farnese de Andrade.
Dia 11 de outubro. Agora sim, 25 anos. O telefone toca, recebo mensagens. A alegria é bem grande.
Porque tudo o que é vivo é sem moldura
Guardo todos os poemas: Dentro do Sol a Lua, Porque tudo que é vivo é sem moldura... e agora este. Resta saber: você volta de onde? Eu te espero, eu te espero sozinha, ainda sem reter o que machuca. Mas não venha com dentes pontudos.
Migrar II | Rodrigo Petronio
Migro para ti, além-palavra.
As vozes e murmúrios que te acuam, não, não dizem nada.
Velas não desfraldam mais nem cinzas dessas pátrias.
Pois a luz maior ainda prepara seu sopro de beleza,
solfejo, harpa.
Sabes que o tempo enterra, mas não dança.
Não sabe da tragédia entre duas asas.
Ardem as formas claras do esquecimento, a poeira original,
miragem: farsa.
Que temos com isso? Quem mais vem ao encontro dos arquivos?
O incêndio lunar das casas?
Nossos corpos sejam benditos, membros, orifícios.
Já somos deuses, Amada.
Retenho esse momento entre meus dedos.
A fagulha doura o céu, enquanto pontilhas o horizonte:
O corpo de magma e a espada te atravessam, meio a meio.
Gozo e ressurreição: nossa hóstia, nossa vinha e
novos zelos. Eis minha resposta à tua indagação:
Sermos o veio, a foz, partitura e aragem: sermos.
Amo-te com estes lábios, os de sempre, intocados.
Descubro em cada curva em que volteio, um país, toda
a linguagem.
Abro-me à tua nova flora, cadela, hino entoado entre
ruínas,
Virgem Negra de meus sonhos mais plenos, de minha
miséria mais clara.
Farejo-te nas estações, contorno o círculo de águas.
Nossas cicatrizes, mapas: viagens ainda a desvendar
depois da pele.
Tudo isso é parte do poema, a tatuagem transborda.
Fora da vida, dentro do mundo: és minha alma,quando falo.
Marco-zero, nem pedra sobre pedra do passado.
Aqui, agora, sempre, construo este poema: o teu corpo.
Sou a seiva enraizada em pergaminhos, folhas de relva,cabras.
Espaço virgem, Musa Negra, minha amada sem começo.
Nossa vida indestrutível rumo ao albedo.
Presentes na eterna duração.
O futuro redivivo: chama nossos corpos.
Nunca um amor maior viveram estes meus poros.
Nunca um amor maior viveram estes meus poros.
Em tua boca, nuca, sêmen, dorso, fronte: retorno ao nada.
Eis a minha ascese, sem templo ou gênese: clarão.
Eis a minha ascese, sem templo ou gênese: clarão.
Decifra-me e habita o meu país, ventre e delicadeza
de tuas espáduas.
Deserto de minha sede sem retorno.
Plenitude de um deusa que anima tuas mãos.
Assinar:
Postagens (Atom)

