Solaris



Era o início de outubro, e o futuro, um grande inesperado, dispunha-se a brincar conosco, hóspede sem face, no jogo dos sete véus.
Comecei com a Úrsula K. Leguin. O certo e o duvidoso a misturar-se, e a forma de exceder o tempo, ficção.
Ou um livro aberto sobre o sofá: mistério em 4 estações.

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Carl Dreyer: mestre de mestres




(...)

O Martírio de Joana D' Arc, por sua vez, tem a atuação de Reneé Falconetti, a atuação mais intensa, mais fantástica que eu já vi. Ela delira em cena. É de uma entrega que beira o sagrado.





Um milagre. Com essa brutal simplicidade, feita de filigranas e de grandeza. 

 

Poucos artistas conseguiram ir tão fundo. Pensem nisso: ele supera os maiores. Os maiores. Então, tudo que eu disser, assim, tão envolvida, sobre o modo de lidar com a câmera; sobre a técnica usada com a gloriosa Falconetti; sobre o modo como ele dirigiu os atores, em Gertrud, para que não se olhem nos olhos; ou a respeito da música que se encadeia com o desespero progressivo de Joana, em seu filme icônico; ou, ainda, a respeito de como ele intensifica o aspecto sagrado por meio de um despojamento narrativo, em A Palavra; tudo o que eu disser sobre Johannes, sobre Kierkegaard, sobre relações entre cinema e teatro; tudo se tornará tão pálido como o espelho de uma sombra de um espelho.

Finalmente, o Dreyer



Sim! Preto e branco belíssimo, fotografia extraordinária, ritmo que mexe com a velocidade interior e te prende num tempo sem tempo. A Palavra, de Carl Dryer.